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Coluna de Daniel Schmitt: A base do Marcílio no Catarinense tem que nascer na Copa SC

A eliminação na Série D naturalmente muda o foco da temporada do Marcílio Dias. Mas quem pensa que o ano acabou está enganado. Muito pelo contrário. O clube entra agora em uma fase que pode definir não apenas os últimos meses de 2026, mas também o desempenho no Campeonato Catarinense de 2027.

A Copa Santa Catarina precisa ser encarada como prioridade.

Claro que existe um objetivo imediato. Para o Marcílio, conquistar a Copa SC significa garantir uma vaga na Copa do Brasil, uma competição que representa visibilidade nacional e, principalmente, um importante reforço financeiro. Basta uma boa campanha para o clube receber uma premiação que faz diferença no orçamento de qualquer equipe catarinense.

Mas limitar a importância da Copa SC apenas à vaga na Copa do Brasil seria um erro.

A competição oferece algo que o Marcílio não tem aproveitado nos últimos anos: tempo. Tempo para trabalhar, testar, corrigir, criar uma identidade de jogo e, principalmente, formar uma base para a temporada seguinte.

O Campeonato Catarinense é uma competição de tiro curto! Quem chega pronto normalmente larga na frente. Quem precisa montar elenco em janeiro acaba gastando as primeiras rodadas tentando encontrar uma formação ideal. O Marcílio conhece bem essa realidade.

Nas últimas temporadas, o clube iniciou o Estadual praticamente reconstruindo o departamento de futebol. Chegaram muitos jogadores, outros saíram rapidamente, o entrosamento demorou a aparecer e o time passou boa parte da competição tentando evoluir enquanto os adversários já estavam organizados.

Não significa que todo o elenco atual deva permanecer. O futebol é dinâmico e mudanças fazem parte do processo. Alguns atletas encerram ciclo, outros recebem propostas e há posições que naturalmente precisam de reforços.

O que não pode acontecer novamente é o Marcílio começar 2027 do zero.

A Copa SC deve servir para identificar quem realmente pode fazer parte do projeto, consolidar uma espinha dorsal, dar sequência aos jogadores que mostraram rendimento e oferecer oportunidades aos atletas da base. Além disso, as contratações precisam ser pensadas olhando para janeiro, e não apenas para os três meses da competição estadual.

Os clubes que conseguem fazer campanhas consistentes no Catarinense raramente começam seu planejamento no início do ano. Eles chegam com um grupo formado, uma ideia de jogo consolidada e atletas que já conhecem o ambiente. O Marcílio tem a oportunidade de fazer exatamente isso.

Outro ponto importante é a continuidade da comissão técnica. Caso o clube mantenha confiança no trabalho desenvolvido, a Copa SC será o ambiente ideal para aprofundar conceitos táticos e chegar ao Estadual sem a necessidade de recomeçar um processo que exige tempo para amadurecer.

Planejamento, porém, não significa abrir mão da ambição. Pelo contrário. Um time montado para conquistar a vaga na Copa do Brasil pode, perfeitamente, ser a base de uma equipe competitiva para o Campeonato Catarinense. Uma coisa complementa a outra.

O torcedor do Marcílio está cansado de viver temporadas em que o clube entra no Estadual ainda em construção. A expectativa precisa ser outra. O objetivo deve ser iniciar 2027 brigando pelas primeiras posições, sonhando com uma vaga em competições nacionais e sem passar pelas dificuldades que marcaram os últimos campeonatos.

A Copa Santa Catarina representa exatamente essa oportunidade. Vale uma vaga na Copa do Brasil, mas pode valer algo ainda mais importante: o início de um projeto sólido.

Se o Marcílio souber aproveitar os próximos meses, o Catarinense de 2027 começará muito antes da bola rolar em janeiro. Começará agora, na Copa SC

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