A primeira entrevista coletiva do departamento de futebol do Marcílio Dias após a eliminação na Série D do Campeonato Brasileiro serviu para muito mais do que um simples balanço da temporada. Diante de questionamentos acumulados ao longo do ano sobre o alto número de contratações, a baixa permanência de atletas e a organização interna do clube, os dirigentes abriram o jogo sobre como funciona a montagem do elenco e revelaram o planejamento para a sequência da temporada e 2027.
Participaram da coletiva o presidente Tarcisio Guedim, o executivo de futebol Rômulo Coelho, o coordenador Silvio de Freitas e o analista de mercado Fabiano Rodrigues. O encontro teve como pano de fundo a frustração pela eliminação diante da Portuguesa-SP, mas rapidamente se transformou em uma discussão sobre os rumos do futebol do Marcílio Dias.
O tema que mais gerou debate foi a reformulação do elenco. Dos 12 jogadores contratados para a disputa da Série D, apenas três permaneceram para a sequência da temporada, cenário que motivou cobranças da imprensa sobre a assertividade das escolhas feitas pelo clube.
Rômulo afirmou que o Marcílio não contrata atletas apenas pelos números apresentados em temporadas anteriores, mas por características que atendam ao modelo de jogo definido pela comissão técnica.
“A gente busca a característica do atleta dentro do modelo que a equipe joga. Se ele não performa da maneira que a gente espera, naturalmente o contrato termina e o clube segue outro caminho” explicou o executivo.
Quem decide as contratações?
Uma das perguntas mais diretas da coletiva foi justamente sobre quem tem a palavra final nas contratações. A dúvida surgiu porque diferentes nomes do departamento de futebol costumam ser ligados a determinadas chegadas ao clube.
A resposta foi de que as decisões são coletivas.
Fabiano, responsável pela análise de mercado, explicou que sua função é sugerir atletas a partir das necessidades apresentadas pela comissão técnica, enquanto Silvio contribui com avaliações de perfil e ambiente, e Rômulo conduz o departamento de futebol.
“O trabalho é feito em oito ou dez mãos. Diversos nomes são analisados antes de qualquer definição” resumiu Fabiano.
Segundo ele, o clube procura observar não apenas os pontos fortes dos jogadores, mas também suas limitações antes de fechar uma contratação.
Robinho e Luiz Araújo entram no debate
Durante a coletiva, o atacante Robinho foi citado como exemplo das críticas recebidas pelo departamento de futebol. Fabiano afirmou que o jogador foi contratado dentro de uma necessidade tática existente na época da chegada do técnico Emerson Cris.
Com a troca de treinador e a chegada de Lúcio Flávio, o atleta passou a atuar em uma função diferente daquela para a qual havia sido inicialmente observado, o que, segundo o dirigente, influenciou no rendimento.
Já Silvio assumiu participação em indicações de jogadores e citou o caso de Luiz Araújo, reconhecendo que nem todas as apostas funcionam como o esperado.
“A gente não pode se eximir da responsabilidade. Às vezes existe uma convicção de que o jogador pode entregar e isso não acontece. O importante é corrigir o caminho quando percebe que não deu certo” afirmou.
O coordenador também explicou que sua principal função é a gestão do ambiente interno do clube, atuando na relação entre diretoria, comissão técnica e elenco.
Guedim admite frustração e fala em evolução
O presidente Tarcisio Guedim reconheceu que o clube ainda precisa evoluir na montagem dos elencos, mas defendeu que a atual gestão vem amadurecendo seus processos.
“O que a gente quer é ver o Marcílio brigando na parte de cima da tabela, conquistando títulos e acessos. Essa é a nossa frustração também” disse.
Apesar da eliminação na Série D, Guedim destacou como avanço o fato de o Marcílio Dias disputar o Campeonato Brasileiro pelo terceiro ano consecutivo, garantindo novamente calendário nacional para 2027.
O dirigente também comentou a pressão constante vivida pelo clube em competições de tiro curto, como o Campeonato Catarinense e a própria Série D.
“Todo jogo parece decisivo. Não existe uma rodada em que você consiga respirar e trabalhar com tranquilidade. Isso desgasta o torcedor e desgasta quem está dentro do clube também” afirmou.
Copa SC vira etapa da preparação para 2027
A principal novidade revelada na coletiva foi o planejamento para a Copa Santa Catarina. Diferentemente das últimas temporadas, o clube pretende utilizar a competição como etapa inicial da preparação para o Campeonato Catarinense de 2027.
Por isso, a diretoria optou por renovar principalmente com jogadores do sistema defensivo, considerado o setor mais consistente da equipe durante a Série D.
“A ideia é já ter na Copinha uma base para o estadual, coisa que a gente não tinha no ano passado. Por isso renovamos com praticamente toda a linha defensiva” explicou Rômulo.
A estratégia busca reduzir o número de mudanças entre o fim da temporada e o início do Catarinense, dando maior continuidade ao trabalho da comissão técnica.
Ao fim da entrevista, ficou claro que o departamento de futebol tentou responder diretamente às críticas feitas ao longo do ano e apresentar uma nova forma de trabalho para os próximos meses. Entre justificativas, autocríticas e projeções para 2027, a mensagem deixada pelos dirigentes foi de que o clube pretende diminuir o número de reformulações e construir uma equipe com maior continuidade a partir da Copa Santa Catarina.


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